Eu podia escolher a sexta pra escrever isto, mas eu escolhi hoje porque as quartas são meu dia. Todo mundo de acordo? Crianças, fiquem sentadas, a tia vai contar uma história.
Quando eu era menor, eu não achava a amizade importante. Eu sempre fui uma criança muito metodológica, eu planejei todo o meu futuro aos oito anos e meus amigos deviam ser bons para me ajudar a alcançar os meus objetivos, porque os amigos apenas eram parte do meio, não do fim.
Como quase todos os meus conceitos, eu não percebi este mudar.
Tem dois clichês sobre amizade nos quais eu acredito muito. O primeiro é que cada amigo deixa um pedaço de si e leva consigo um pedaço seu. O segundo é que nenhum amigo é igual ao outro.
A maior prova disso é a saudade individual que eu vou sentir.
*pausa para a bebida*
Eu vou sentir saudade da voz de Adonildo e do jeito dele quando ta emburrado. Eu vou sentir saudade da lezeira também e do touro mecanico, sim! eu vou sentir saudade do touro mecanico.
Eu vou sentir saudade especialmente dos abraços de Breno, que são os abraços mais gostosos que eu recebi, eu vou sentir saudade da forma calma como ele lida com tudo.
Eu vou sentir saudade do sorriso de Carol, que mesmo na versão enlatada ainda me dá vontade espontânea de sorrir, vou sentir saudade da criatividade e da vontade que ela tem de fazer todos felizes.
Eu vou sentir saudade de falar com Kriscieli, de voltar com ela caminhando a tarde, da forma como ela olha pra mim, como se fosse minha irmã mais velha, mais inteligente e mais sensata. Eu vou sentir falta de ligar pra casa dela e resolver tudo com a mãe dela antes dela atender o telefone.
Eu vou sentir muita falta de Larissa. Ate de quando ela é grossa comigo e de quando ela ta tão feliz que chora de rir. Eu vou sentir falta do som da risada de Lala.
*pausa para bebida*
Eu vou sentir saudade de Helena e do jeito dela de explicar as coisas. Eu vou sentir saudade do jeito dela falar, rápido e empolgado, ate falando da Planolândia, como se o coração dela tivesse pensando e não o cérebro e mesmo assim, pensando muito rápido pra um coração.
Eu vou sentir falta de Murilo. Nem um pouco do jeito como ele puxa meu cabelo, mas do jeito como ele está sempre disposto a ajudar. Eu vou sentir falta das folhas dele que voce vira e de repente encontra o pedaço de uma partitura.
E eu vou sentir falta de Talita. Da felicidade inabalável e contagiante dela. Como se em todos os dias estivesse fazendo sol, como se todas as pessoas fossem boas.
Eu vou sentir saudade do Adamas, do rosto dele surgindo nas horas mais inesperadas, da forma como ele me escuta e da alegria que ele traz consigo para todos os ambientes.
*pausa para a bebida*
Eu provavelmente pareço dramática ultimamente, como se nunca mais fossemos nos ver, mas é que agora vai ser mais dificil reunir a todos. Sei que não perderemos a amizade, só a convivência, mas quando eu tento imaginar-me entrando em uma sala na qual vocês não estão, eu me pergunto porque nós todos não fizemos filosofia.
A minha vida era mais facil quando eu não precisava de amigos, mas não era tão brilhante ou tão emocionante.
Eu quero que os meus amigos, especialmente os supracitados, saibam que eles fazem os meus dias melhores, eu quero que eles me liguem daqui a vinte anos pra conversar sobre o que fizemos esse ano, eu quero te-los presente em cada momento de felicidade da minha vida e, se possivel, nos tristes.
As amizades não são importantes, são bonitas. Vocês me ensinaram isso.
Obrigada